
COLUNA 07 DE MAIO DE 2020
O PIB de Teófilo Otoni medido pelo IBGE no ano de 2017, sendo este ano o dado mais atualizado, foi de 2,365 bilhões de reais. Acrescentando mais 30% (por baixo) relativo economia informal podemos chegar a um número aproximado do PIB em torno de 3 bilhões. Se dividirmos esse número por 12 meses temos o equivalente a 250 milhões por mês. Isso é o que todas as empresas como indústria, comércio, serviços, agropecuária geram de riqueza no município de Teófilo Otoni.
Agora vamos fazer as contas do impacto da paralisação de grande parte do comercio determinado pela prefeitura municipal:
Se considerarmos que a parte do comercio e serviços proibidos de exercer suas atividades fique em 40 % temos um valor de 100 milhões mensais que está deixando de circular na cidade. Esse dinheiro é que gera emprego, renda para a maioria das famílias, além de impostos que são arrecadados.
Precisamos considerar que, de acordo com pesquisas do SEBRAE, as MPEs geram mais de 70% do emprego no Brasil. Trazendo esse número para nossa realidade, a maioria das empresas da cidade e que estão paralisadas, são constituídas de MPEs. Então o impacto sobre o emprego é muito maior.
Quando ouvimos o discurso populista de que precisamos preservar a saúde, a vida, temos dados preocupantes sobre o impacto do desemprego na saúde população, em especial dos mais pobres.
Segundo pesquisa da Lancet Global Health efetuada por pesquisadores do Brasil e Reino Unido na edição de 10/10/2019, mostra o impacto da recessão econômica no Brasil entre os anos de 2012 a 2017 onde tivemos um aumento da mortalidade em populações vulneráveis.
Nesse período a economia do Brasil contraiu quase 8% entre 2014 e 2017, trazendo consigo uma grande recessão econômica que resultou em aumento do desemprego e maior pobreza. Conseqüentemente essa recessão no Brasil aumentou as taxas de mortalidade adulta em 4,3%.
O estudo examinou as taxas de mortalidade em 5.565 municípios brasileiros entre 2012 e 2017. Os pesquisadores atribuem 31.000 mortes adicionais à recessão. Concluindo que um aumento na taxa de desemprego de um ponto percentual foi associado a um crescimento de 0,50 por 100 mil habitantes na mortalidade por todas as causas.
Nesse estudo ainda foi constatado que em regiões onde existe um amparo social maior por parte do Estado, esses impactos foram diminuídos, não causando um estrago tão grande e não chegando a mortalidade a esses índices alarmantes.
Voltando para a nossa realidade, onde temos grande parte da população ativa em atividades informais, portando sem amparo social e fora das políticas sociais do governo, o horizonte se torna ainda mais sombrio. O salário desemprego vai atingir apenas aqueles com emprego formal e dura em torno de 3 meses. O auxilio emergencial do governo, também tem previsão de durar três meses. E daí?
A retomada das atividades econômicas não vem de imediato. Demoram e nem sabemos quando serão normalizadas. Enquanto isso essa grande parcela da população, sem emprego e sem apoio dos programas sociais poderão engrossar esses índices de mortalidade em nossa região, seja por aumento no número de crimes, suicídios, fome, doenças provocadas pela pressão psicológica, como depressão ou problemas cardíacos.
O quadro não é bom, resta ao poder público, que tem recebido valores expressivos do governo federal para combate ao vírus, saber utilizar esses recursos para aliviar essa situação calamitosa que se avizinha. Interessante que o aumento da taxa de mortalidade durante a recessão não foi observado em municípios com altos gastos em programas de saúde e proteção social. No trabalho, os pesquisadores escreveram que “os gastos com saúde e proteção social pareciam mitigar os efeitos prejudiciais à saúde, especialmente entre populações vulneráveis”.
Tai a oportunidade para o governo municipal fazer bom uso desses recursos, aplicando efetivamente na melhoria da saúde (aqui podemos incluir saneamento básico) contribuindo para que o nosso município melhore nos índices de qualidade de vida e saia de vez das estatísticas, que tanto nos envergonha, de pobreza e miséria e ainda possa não contribuir para aumentar essa terrível estatística de aumento da mortalidade em tempos de recessão.
Precisamos de programas duradouros de geração de emprego e renda na região. Não podemos mais viver de distribuição de cestas básicas, que resolve o problema apenas imediato, mas que deixa o futuro incerto para essa população sofrida da nossa região.







