PAIXÃO | Vinte e cinco anos depois de se tornar freira, Selma Teixeira, 51, decidiu dar um novo rumo para a sua vida: deixar o celibato. A decisão ocorreu após ela passar por um tratamento cardíaco e uma cirurgia bariátrica — ela chegou a pesar 148 quilos. Durante as consultas de rotina, a ex-freira conheceu uma médica que se tornou sua amiga e, um tempo depois, chegou a beijá-la — fazendo com que Selma repensasse o seu futuro.
"Meu nome é Selma Teixeira, mas já fui Chiara Letícia. Já estive com três papas e o último deles, o papa Francisco, me escreveu uma carta com votos de um casamento feliz. Não será possível atender ao desejo dele e a decisão não é minha, é da igreja. Sou uma ex-freira, ex-madre superiora, que abandonou os votos de castidade, pobreza, obediência, clausura e o mais alto posto que uma mulher pode alcançar na igreja católica por causa do meu coração.
Primeiro, porque ele deu sinais de pane. Segundo, porque me apaixonei por uma das pessoas que salvou a minha vida. A paixão arrebatadora foi o apagar das luzes de 25 anos de dedicação exclusiva à igreja. Eu vivi no celibato e no enclausuramento por quase três décadas, mas isso não significa que a minha vida até aqui não tenha sido movimentada. Nasci na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, e foi por uma inquietação e uma vontade imensa de contribuir para a comunidade humana que dei início ao que, na igreja, chamamos de vida consagrada. Isso, aos 18 anos. Como sempre fui muito idealista, comecei por buscar uma ordem que tivesse um trabalho social, principalmente com mulheres em situação de risco.
Isso porque, desde cedo, eu me incomodava com o afastamento das mulheres nas posições de importância na igreja. Foi aí que eu cheguei às irmãs carmelitas teresianas, uma ordem instalada na cidade de Jundiaí, também no interior de São Paulo. Elas tinham um trabalho externo importante justamente com meninas e mulheres em situação de risco.







