Fumacê é considerado medida de baixa eficácia contra dengue, diz especialista

16/03/2023 as 08:00
COMBATE À DENGUE  | Mesmo sendo uma medida bastante cobrada pela população, o fumacê usado para o combate ao mosquito da dengue é constante alvo de divergência entre pesquisadores. Além da baixa eficácia na ação, estudos indicam que o contato recorrente com o inseticida pode causar intoxicação e, a longo prazo, o desenvolvimento de câncer e outras doenças.

Os casos de dengue voltaram a crescer  em Teófilo Otoni e a eficácia do fumacê voltou ao debate. Segundo o médico especialista em doenças infectocontagiosas, Celso Tavares, a medida consiste na utilização de agrotóxico em pequenas dosagens com o objetivo de matar o mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue.

"O efeito dura até 30 minutos quando liberado no ar, mas o produto atinge apenas mosquitos adultos voando no momento em que o veneno é usado."

O médico explica que os criadouros não são afetados. Assim, por depender de fatores externos, a medida é considerada de baixa eficácia, pontua Tavares.

O especialista acrescenta que, para ter um efeito melhor, o Malathion deveria ser pulverizado pelos carros de fumacê com as casas de portas e janelas abertas – para que o veneno "entrasse" nas residências. Mas isso nunca acontece.

“Habitualmente as portas e janelas estão fechadas e quando abertas, os moradores fecham durante a passagem do fumacê.”

"A medida mais eficaz é a eliminação de focos de multiplicação do mosquito, evitando que eles nasçam, por isso, o envolvimento da sociedade é fundamental", afirma o Ministério da Saúde.