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Com: Argimiro Rocha

O Brasil de extremos | Ponto-Vírgula por Alan Martuchelle

05/05/2020 as 10:42


Coluna 05 de Maio de 2020

O Brasil é um país democrático. Todos podemos expressar nossas opiniões de modo livre e aberto. Essa ideia na teoria é fascinante, na prática uma tragédia. Nesta pandemia derivada pelo novo coronavírus, isso ficou mais evidente; principalmente quando o país voltou a se dividir várias vezes em um curto período.

Existem diversas divisões do Brasil, contudo as escolhas políticas mais polêmicas, se divergem entre esquerda e direita. Nessas duas subdivisões políticas existem quatro tipos de eleitores. 

Os dois primeiros tipos de eleitorado: Aqueles que defendem a esquerda e os que defendem a direita e, necessariamente não defendem seus líderes como portadores da verdade e razão absoluta. 

Os outros dois tipos de eleitorado: Aqueles em que suas ideologias e acreditações indeferem da esquerda ou da direita, mesmo que estejam incluídos a elas. Os defensores de seus ídolos, de cada lado político-partidário. Lula, ex-presidente da república e Jair Bolsonaro, atual presidente do Brasil.


 É incoerente chamar de extremistas aqueles que pertencem à esquerda ou à direita. Esse adjetivo se enquadra no perfil de quem tem seus líderes como corretos e nada mais. Mesmo que tenham atitudes erradas, sejam contraditórios em suas decisões; estes estão mais que certos. Certíssimos para seus apoiadores.

 Vamos aos fatos e acontecimentos 

A demissão do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, isolamento vertical ou horizontal, o uso ou não da cloroquina para combate à Covid-19 foram acontecimentos que geraram palcos de trocas de ofensas e discussões ideológicas entre esses eleitores. O principal assunto que iremos desenrolar a seguir é o pedido de demissão de Sergio Moro, do ministério da Justiça e segurança pública.



BBC Brasil, 12 de julho de 2017


Sergio Moro foi o pesadelo dos defensores de Lula e alguns esquerdistas, quando esteve à frente da operação Lava-Jato. Bem antes da eleição de Jair Bolsonaro, Moro já era um “ídolo” de muitos no país. A principal figura como Juíz no combate a corrupção. No dia 12 de julho de 2017, Sérgio Moro, juiz federal de primeira instância na época, condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação penal envolvendo um triplex no Guarujá. Na segunda instância a pena foi aumentada para 12 anos e um mês. Após isso, a pena durou até o dia 8 de novembro de 2019, depois do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar a prisão de condenados em segunda instância. 

Em 1 de Novembro de 2018, Sergio Moro aceitou ao convite de Bolsonaro para ocupar a vaga de Ministro da Justiça e segurança pública; para pouco mais de um ano e cinco meses depois, pedir demissão do atual governo. 

Dado esses fatos – acreditem, fatos históricos para nosso país, vamos ao ponto-vírgula do assunto de hoje. 
Hipócritas são os apoiadores de Bolsonaro que, hoje, nas circunstâncias em que se encontra o ex-ministro Moro, o descrevem como traidor, repugnante, desleal ao seu líder ou perjuro; e, são hipócritas também petistas ou esquerdistas que defendem Moro como líder supremo, sendo que, há dois anos o próprio eleitorado tinha o chamado de parcial e adepto de mercantilização.

 Amnésia? Esquecimento? Loucura? Não. Oportunismo! Sim, oportunismo para alimentar teorias extremistas. 
“Se tocar no intocável, para mim não presta mais”. Acho que seria esse o pensamento do esquerdista e do direitista de extrema. Faça um teste agora, ao ler ou ouvir a frase “Bolsonaro é um fanfarrão em desgoverno” ou “ Lula é um corrupto sem escrúpulos”; como você reage? Uma ofensa ou uma simples opinião? 

Reconsidere sua visão política, e seja aberto a posicionamentos que contrariam o seu, para que além de obter mais conhecimento e informação sobre o seu lado oposto, você possa alimentar sua ideologia.


Manifestante da direita gritando com manifestante da esquerda | Foto: Reprodução/Revista Época


No último domingo (03), jornalistas do jornal ‘ O Estado de S. Paulo’ foram agredidos enquanto cobriam a manifestação pró-bolsonaro.



Essa atitude além de inconstitucional, é repugnante. Ataques a imprensa tem sido recorrente nos últimos dias, a ponto de apoiadores do presidente interromperem repórteres ao vivo para xingar o meio de comunicação a que eles pertencem. Se você não gosta de um determinado supermercado, você agride o moço do caixa ou se não gosta de um restaurante, agride o garçom? Assim são similares aos ataques a imprensa. Se não gosta do canal x, y ou z, desligue.

O presidente não tem culpa das agressões, mas carrega um peso por proliferar mensagens de ódio e ataques aos jornalistas. Este é mais um exemplo do extremismo em que vivemos hoje no Brasil.

Não pense você que a esquerda sempre foi “santa”. Jornalistas já foram agredidos sim, em manifestações de esquerdistas. Veja algumas manchetes da época:








Então meus queridos amigos da esquerda, não repudiem atos como este, simplesmente por partir de bolosnaristas, mas de qualquer ser humano. 


Manifestante da esquerda atacando manifestante do PSDB em 2014 | Foto: Reprodução/ Estadão


O ponto-vírgula de hoje concluí que, a democracia não se faz presente em um país com vários extremos.


CHARGE DO DIA