O ano letivo deverá ser retomado, presencialmente, nas redes públicas e particulares, com apenas parte das crianças, com idade entre 5 a 11 anos, vacinadas, e só com a primeira dose contra a Covid-19. Ao todo, o Estado precisa de cerca de 3,7 milhões de doses de vacinas para imunizar, com duas aplicações, todo o público infantil desta faixa etária - estimado em 1,8 milhão de pequenos. Portanto, a previsão é de que, em janeiro, antes do início do período letivo, o Estado receba 370 mil doses.
Já na rede estadual de ensino, a previsão de retorno às escolas será no dia 7 de fevereiro. De acordo Fábio Baccheretti o secretário de Estado de Saúde, as aulas na rede estadual de ensino serão retomadas, presencialmente, independente do cenário de imunização infantil. Segundo o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG), na rede particular de ensino, a programação de retorno presencial também está mantida.
A entidade explica que a dinâmica das instituições de ensino “está dirigida para o exercício e a aplicação de aulas presenciais”. O sindicato destaca que há casos isolados como os alunos que possuem comorbidades, que poderão estudar em sistema híbrido. A médica Daniela Caldas, do departamento científico de infectologia pediátrica da Sociedade Mineira de Pediatria, diz que em um cenário de vacinação escassa, as instituições de ensino devem adotar regras rígidas para minimizar o contágio.“Eu entendo que deve -se seguir o mesmo padrão de protocolos que já aconteceram na retomada: distanciamento social, salas mais vazias do que o habitual, uso correto da máscara e evitar atividades de maior interação física” ela ressalta. Caldas acredita que o momento não é de fechamento das escolas. “Nós já suspendemos aulas por muito tempo. As crianças foram muito afetadas, é uma situação que gera atraso no desenvolvimento, distúrbios de sono, alimentação, comportamento. O momento é de restringir festas, encontras, outras atividades supérfulas”, analisou.
Para Flávio Fonseca, o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, as autoridades devem acompanhar a evolução dos casos para definir se as aulas serão presenciais ou remotas. Ele lembra que o vírus tem mais facilidade para sofrer mutações contaminando pessoas não vacinadas. “O vírus se multiplica menos em um sistema imune. É possível controlar a infecção e diminuir as chances de mutações”, destaca.
O secretário Fábio Baccheretti informou que a primeira remessa de imunizantes deve chegar a Minas na próxima quinta-feira, dia 13. Depois, estão programadas remessas nos dias 20 e 27 de janeiro. A totalidade de doses necessárias para imunizar todas as crianças deve chegar a Minas só no final de março. "Imediatamente iremos encaminhar as doses aos municípios", ele ressaltou. A ordem de vacinação seguirá o seguinte fluxo: crianças com comorbidades, deficiência permanente, indígenas e quilombolas, e depois o grupo completo de 11 até 5 anos em ordem decrescente. Com a escassez de vacinas pediátricas, o secretário fez um apelo aos adultos. "Espero que os pais percebam que é importante vacinar e levem toda criança para tomar a vacina, porque ela é segura", frisou.







