URGENTE | O radialista Roque Saldanha foi preso pela Polícia Federal em Colatina, no Espírito Santo, na manhã desta sexta-feira (20). A prisão foi decretada no mês passado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por descumprimento de medidas cautelares relacionadas aos atos golpistas que ocorreram no Brasil.
Entre as acusações, Saldanha havia divulgado vídeos incitando desobediência às instituições e, no final de novembro, foi flagrado destruindo sua tornozeleira eletrônica enquanto proferia ofensas contra o STF. Na operação que resultou na sua prisão, foram apreendidos um celular, três chips, R$ 7 mil e a tornozeleira rompida.
O advogado de defesa, João Carlos de Faria Soares, afirmou que a prisão, embora esperada, gerou surpresa. "O mandado de prisão não foi em virtude do rompimento da tornozeleira ou do vídeo, mas pelo descumprimento das medidas cautelares impostas anteriormente. Entre elas, estão a proibição de sair da cidade e a publicação de vídeos", disse o advogado, acrescentando que o ministro Alexandre de Moraes apontou 57 notificações de violações das condições.
A advogada Roberta Souza, também defensora de Saldanha, emitiu uma nota ressaltando que o radialista utilizava a tornozeleira há quase dois anos, ultrapassando o limite de 90 dias, e alegou que o dispositivo causou ferimentos na perna de seu cliente. “O uso prolongado caracteriza excesso de prazo e uma forma de tortura, levando-o a atitudes extremas. Embora sua postura tenha sido inadequada, as condições impostas retiraram completamente sua dignidade”, afirmou.
Saldanha também alegava dificuldades financeiras devido às restrições que enfrentava, como a impossibilidade de trabalhar e de arcar com despesas básicas, incluindo aluguel e pensão alimentícia. A defesa assegurou que está tomando as medidas legais cabíveis e pediu cautela na abordagem do caso, ressaltando a necessidade de preservar a dignidade do radialista.
O caso de Roque Saldanha reforça o debate sobre a proporcionalidade das medidas cautelares e o impacto na dignidade dos investigados, sobretudo em situações de descumprimento reiterado.







