Em julho, serão comemorados os 30 anos do lançamento de Uma linda mulher. O longa de Garry Marshall estrelado por Julia Roberts e Richard Gere é “mais” em muita coisa. Permanece como a comédia romântica de maior bilheteria de todos os tempos (US$ 463 milhões), a de maior público nas salas (mais de 42 milhões de espectadores). Foi um longo caminho para se chegar a esse resultado.

Qualquer espectador da Sessão da tarde conhece a história – empresário especializado em sucatear empresas que depois vende pelo maior lucro contrata prostituta para ser sua acompanhante por uma semana. Ele a tira da rua, Rodeo Drive, dá-lhe um banho de butique nas grifes mais chiques de Los Angeles e, como Pigmalião diante de Galasteia, apaixona-se por sua criação.
LADO SOMBRIO DA HISTÓRIA
Uma linda mulher é mais que simplesmente um filme. Virou referência – ícone? – da cultura pop. É citado até em estudos acadêmicos sobre a mobilidade social. Mas poderia ter dado tudo errado. Inicialmente, era para ser um drama sombrio, meio documentário, sobre uma prostituta drogada. Como projeto, o título era US$ 3 mil, o valor que Vivian Ward cobra para acompanhar Edward Lewis por uma semana.

Julia Roberts terminou escolhida aos 45 do segundo tempo. Venceu mais pela desistência das outras que pelo próprio nome, embora já tivesse a credencial do Globo de Ouro de coadjuvante que recebeu por Flores de aço, de 1989.
Para protagonista masculino, chegaram a ser considerados Christopher Reeve, Daniel Day-Lewis e Denzel Washington. Al Pacino, ao que se consta, fez uma leitura do papel com Julia e recusou. Richard Gere topou, mas teve alguma dificuldade no começo. Por ser um astro, estava querendo aparecer demais. Ele próprio confirmou, e não sem humor, que o diretor chamou-o de lado e lhe disse que o filme era sobre uma pessoa que se movia e outra, não. E Marshall teria perguntado: “Adivinhe qual das duas você é?”

Como outros filmes que, ao longo da história, tiveram os elencos mudados, muita gente acha que os deuses do cinema interferiram para que tudo desse certo. Além da química da dupla principal, a trilha contribuiu. Quando Edward e Vivian vão à ópera, é para ver La Traviata. Oh, pretty woman segue a “princesa” na voz de Roy Orbison. A banda Roxette estourou em todo o mundo graças à faixa It must have been love.

Claro que tinha de ser amor. De que outra maneira o relato chegaria ao seu happy end? Só falta revelar o segredo de Polichinelo. Por mais bela que fosse a jovem Julia Roberts, não foi suficiente. Na cena da lingerie, no começo, e no cartaz, o corpo de Vivian não é o dela. Julia foi “dublada” por Shelley Michelle.
UMA LINDA MULHER
Direção: Garry Marshall | Com Julia Roberts, Richard Gere e Laura San Giacomo | Disponível na plataforma Netflix e no aplicativo Now







